Sobre a cama, o suave toque sobre as teclas que aguardam inspiração, - mas não guardam inspiração, apenas aguardam - formam linhas que preenchem o branco, que não é mais branco. Pena que o toque leve dos dedos não são tão leves como deveriam, - o lápis está desapontado, assim como uma parte do meu coração -, e o semblante fechado é iluminado pela tela, que era branca, e realça o fosco dos olhos baixos de sono e tristeza.
Acho que vivo os poemas apaixonados de Turíbio Coelho ou, até mesmo, contos Shakespearianos. Me vejo em fotos de anúncios de sabão em pó em revistas femininas - O cachorro correndo junto ao mar, buscando o objeto na mão do pai, de bermuda cinza e camisa branca. O filho se acalenta na mão da mãe, que usa uma roupa leve, também branca, com cabelos ao vento e o sorriso carinhoso de quem não se incomodou com a produção por detrás da foto -.
As vezes me preocupo excessivamente com opiniões cotidianas, de quem apenas acorda, trabalha e dorme. - Geralmente transam antes de dormir, mas isso ainda faz parte do cotidiano - . Pessoas que não apossam o sentido de amar poeticamente, de contar os meses, de fazer piquenique, ou simplesmente andar no parque num domingo a tarde... a pé ou... como quiser.
Vivo num mundo que não é meu, nem seu. É nosso. Meu e dela. Ela. Meus dedos suavizam sobre o teclado só de lembrar seu rosto lindo, a pinta na bochecha e os olhos castanhos, - não foscos -, olhos castanhos que, de tanto brilho, iluminam meu coração. A alegria que toma meu peito ao me lembrar dela é a adrenalina do músico prestes a subir ao palco, o ator no preceder do abrir das cortinas, do louco quando acreditam na sua lucidez.
A vida é a realidade de cada alma, em sua particularidade, desde que exista amor.
Breno de Assis
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
E se não houvesse som?
O rádio de enfeite não passaria,
Passarinho perderia o piar,
Cacarejos se tornariam cacarecos
De um triste galo quando visse o sol raiar.
O amor sem “eu te amo”
A poetisa pouco enfática,
A TV menos dramática.
O “adeus” resumido em um olhar.
Sem lamento, sem pranto nem barulho,
No entanto sem cantar.
Não teria vitrola, tagarela, repenique, grafonola, nem batida na panela.
Não existiria protetor auricular.
O som sem sentimento é presságio do silêncio.
Breno de Assis
Passarinho perderia o piar,
Cacarejos se tornariam cacarecos
De um triste galo quando visse o sol raiar.
O amor sem “eu te amo”
A poetisa pouco enfática,
A TV menos dramática.
O “adeus” resumido em um olhar.
Sem lamento, sem pranto nem barulho,
No entanto sem cantar.
Não teria vitrola, tagarela, repenique, grafonola, nem batida na panela.
Não existiria protetor auricular.
O som sem sentimento é presságio do silêncio.
Breno de Assis
quarta-feira, 2 de março de 2011
Pontuações
Minha vida é cheia de exclamações,
tudo muito forte, intenso.
As vezes, surgem interrogações,
mas sei que as respostas vem com o tempo e ponto final.
Gosto da vírgula, dos três pontos.
Fica melhor de se entender e tem aquele gostinho de deixar algo no ar.
Meu único medo são os parênteses!
Esses podem mudar as aspas e todo o conteúdo do resumo final.
Breno de Assis
tudo muito forte, intenso.
As vezes, surgem interrogações,
mas sei que as respostas vem com o tempo e ponto final.
Gosto da vírgula, dos três pontos.
Fica melhor de se entender e tem aquele gostinho de deixar algo no ar.
Meu único medo são os parênteses!
Esses podem mudar as aspas e todo o conteúdo do resumo final.
Breno de Assis
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Kremme
Foi um dia de kremesse.
Depois de rezá três prece
Pra que os santo me ajudasse,
Deus quis que nós se encontrasse
Pra que nós dois se queresse,
Pra que nós dois se gostasse.
Inté os sinos dizia
Na matriz da freguezia
Que embora o tempo corresse,
Que embora o tempo passasse,
Que nós sempre se queresse,
Que nós sempre se gostasse.
Um dia, na feira, eu disse
Com a voz cheia de meiguice
Nos teus ouvido, bem doce:
Rosinha si eu te falasse...
Si eu te beijasse na face...
Tu me dás-se um beijo? — Dou-se.
E toda a vez que nos vemo,
A um só tempo perguntemo
Tu a mim, eu a vancê:
Quando é que nós se casemo,
Nós que tanto se queremo,
Pro que esperamos pro quê?
Vancê não falou comigo
E eu com vancê, pro castigo,
Deixei de falá também,
Mas, no decorrê dos dia,
Vancê mais bem me queria
E eu mais te queria bem.
— Cabôco, vancê não presta,
Vancê tem ruga na testa,
Veneno no coração.
— Rosinha, vancê me xinga,
Morde a surucucutinga,
Mas fica o rasto no chão.
E de uma vez, (bem me lembro!)
Resto de safra... Dezembro...
Os carro afundando o chão.
Veio um home da cidade
E ao curuné Zé Trindade
Foi pedi a sua mão.
Peguei no meu cravinote
Dei quatro ou cinco pinote
Burricido como o quê,
Jurgando, antes não jurgasse,
Que tu de mim não gostasse,
Quando eu só amo a vancê.
Esperei outra kremesse
Que o seu vigário viesse
Pra que nós dois se casasse.
Mas Deus não quis que assim sesse
Pro mais que nós se queresse
Pro mais que nós se gostasse.
Olegário Mariano
Depois de rezá três prece
Pra que os santo me ajudasse,
Deus quis que nós se encontrasse
Pra que nós dois se queresse,
Pra que nós dois se gostasse.
Inté os sinos dizia
Na matriz da freguezia
Que embora o tempo corresse,
Que embora o tempo passasse,
Que nós sempre se queresse,
Que nós sempre se gostasse.
Um dia, na feira, eu disse
Com a voz cheia de meiguice
Nos teus ouvido, bem doce:
Rosinha si eu te falasse...
Si eu te beijasse na face...
Tu me dás-se um beijo? — Dou-se.
E toda a vez que nos vemo,
A um só tempo perguntemo
Tu a mim, eu a vancê:
Quando é que nós se casemo,
Nós que tanto se queremo,
Pro que esperamos pro quê?
Vancê não falou comigo
E eu com vancê, pro castigo,
Deixei de falá também,
Mas, no decorrê dos dia,
Vancê mais bem me queria
E eu mais te queria bem.
— Cabôco, vancê não presta,
Vancê tem ruga na testa,
Veneno no coração.
— Rosinha, vancê me xinga,
Morde a surucucutinga,
Mas fica o rasto no chão.
E de uma vez, (bem me lembro!)
Resto de safra... Dezembro...
Os carro afundando o chão.
Veio um home da cidade
E ao curuné Zé Trindade
Foi pedi a sua mão.
Peguei no meu cravinote
Dei quatro ou cinco pinote
Burricido como o quê,
Jurgando, antes não jurgasse,
Que tu de mim não gostasse,
Quando eu só amo a vancê.
Esperei outra kremesse
Que o seu vigário viesse
Pra que nós dois se casasse.
Mas Deus não quis que assim sesse
Pro mais que nós se queresse
Pro mais que nós se gostasse.
Olegário Mariano
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Rotina
A manhã me acordou! O tira Ará, da rua, foi dormir.
O corpo mal se levantou e o trem da ida de mim sorriu.
Meus olhos presos no ponteiro. A rotina de milhares cegou a retina.
Meu "bom dia" ao porteiro! Sou companheiro de quem não viu.
Saber que não podes fazer o que quer,
é como guardares a bela princesa.
Cuida para que não a tomem
e come, com olhares, o que te consome.
A tarde me cansa e já não alcanço o telefone.
Os olhos que ardem e as pálpebras que dormem.
Os cílios, que não se importam, sobem e descem na frequência
que lhes determinam as pálpebras. Infames!
O pastel da feira de quarta é ilusionismo de semáforo.
O rodo deslizando no para brisa avisa porquê para,
abre o vidro pra bater a cinza e a fumaça não bater na cara.
Não é história em quadrinhos, é a vida a clara.
Breno de Assis
O corpo mal se levantou e o trem da ida de mim sorriu.
Meus olhos presos no ponteiro. A rotina de milhares cegou a retina.
Meu "bom dia" ao porteiro! Sou companheiro de quem não viu.
Saber que não podes fazer o que quer,
é como guardares a bela princesa.
Cuida para que não a tomem
e come, com olhares, o que te consome.
A tarde me cansa e já não alcanço o telefone.
Os olhos que ardem e as pálpebras que dormem.
Os cílios, que não se importam, sobem e descem na frequência
que lhes determinam as pálpebras. Infames!
O pastel da feira de quarta é ilusionismo de semáforo.
O rodo deslizando no para brisa avisa porquê para,
abre o vidro pra bater a cinza e a fumaça não bater na cara.
Não é história em quadrinhos, é a vida a clara.
Breno de Assis
sábado, 2 de outubro de 2010
A Neblina
A neblina deixa o ambiente macabro, maneiro,
desperta a adrenalina e o medo.
A apreensão pelo despontar de algo pavoroso
deixam os olhos estalados e curiosos.
Mas... por que não a borboleta?
Na neblina elas também estão vivas.
Onde estão as cores flutuantes que embelezam o meio dia?
Parece que algo vai acontecer...
Tudo é desconfiável...
Tudo é morto, tudo é vivo parecendo morto.
A diferença entre morto e vivo não está no movimento,
nem na aparência.
Tem muita coisa que acreditamos estarem vivas mas não temos certeza.
A cidade não adormece, a cidade esconde.
A cidade não anoitece...
Aonde?
Breno de Assis
domingo, 15 de agosto de 2010
Um Certo Poema
O auge é acústico.
O heterônimo sai de cena.
Surge a alma, o âmago.
Amores e amarguras expressados
através de melodia simples e leve.
Um sussurro tão forte,
quanto a morte de um ser amado.
As lágrimas, não se sabem se doces ou salgadas,
correm hora por prazer, hora sem querer.
E no desenlace do agradecimento
a euforia toma conta de tudo.
As mãos, palmadas em aplausos,
fazem pausas entre palmas e lenços
e é nesse momento em que fecham-se as cortinas,
ficando na lembrança "um certo poema".
Breno de Assis
O heterônimo sai de cena.
Surge a alma, o âmago.
Amores e amarguras expressados
através de melodia simples e leve.
Um sussurro tão forte,
quanto a morte de um ser amado.
As lágrimas, não se sabem se doces ou salgadas,
correm hora por prazer, hora sem querer.
E no desenlace do agradecimento
a euforia toma conta de tudo.
As mãos, palmadas em aplausos,
fazem pausas entre palmas e lenços
e é nesse momento em que fecham-se as cortinas,
ficando na lembrança "um certo poema".
Breno de Assis
Poeta de Mim
O que escrevo é poesia sim!!!
Para que esperar a opinião dos críticos?
Minha poesia é simples, direta.
Pode ser que falte vocabulário,
mas a mensagem é passada e é isso que importa.
Se não posso ser poeta do mundo de muitos,
sou poeta do meu.
Tenho minha literatura e meu rebanho.
Eu escrevo, eu entendo.
Poesia é estar só,
é na solidão que surgem os versos,
é sozinho que o pensamento ecoa em palavras.
Se assim vive o poeta,
por que esperar que alguém me classifique como tal?
Sou poeta de mim e ponto final!
Breno de Assis
Para que esperar a opinião dos críticos?
Minha poesia é simples, direta.
Pode ser que falte vocabulário,
mas a mensagem é passada e é isso que importa.
Se não posso ser poeta do mundo de muitos,
sou poeta do meu.
Tenho minha literatura e meu rebanho.
Eu escrevo, eu entendo.
Poesia é estar só,
é na solidão que surgem os versos,
é sozinho que o pensamento ecoa em palavras.
Se assim vive o poeta,
por que esperar que alguém me classifique como tal?
Sou poeta de mim e ponto final!
Breno de Assis
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